Criada em 8 de Setembro de 2022, a Batalha da Arte completou três anos de trajetória com o propósito de fortalecer as batalhas de MCs no estado.
O movimento começou a partir de uma edição de natal: “A batalha da arte iniciou com uma edição, que foi a edição de natal, que não tinha nome, que não tinha nada, nenhuma referência. E a batalha cresceu a partir dessa edição, onde a gente construiu uma batalha com premiações e que levou o trabalho a ser construído da melhor forma”, relembra Psy, um dos fundadores da batalha.
A proposta da batalha está diretamente ligada à ocupação dos espaços públicos e à aproximação com os territórios periféricos. “O grande intuito da batalha da arte, com as batalhas de rima é atingir o público da periferia. Normalmente a gente tá fazendo as batalhas nas praças, próximas às periferias”, relata.
A circulação por diferentes espaços também amplia o público alcançado pela Batalha da Arte. Para o fundador, levar a atividade para regiões centrais e para eventos como o Quebramar possibilita o encontro com pessoas de diferentes realidades sociais.
“A gente atinge outras classes sociais, quando a gente vai para o centro, quando a gente vai fazer uma batalha no festival como o Quebramar”, afirma.
Dos territórios periféricos ao palco do Quebramar 2026
Foi nesse contexto que a Batalha da Arte chegou à abertura do festival. Para o fundador, ocupar a programação do Quebramar representa também uma oportunidade de apresentar o hip hop para públicos que ainda carregam estigmas sobre as batalhas de MCs.
“A batalha da arte abrindo o festival de hoje é tão importante para a gente mostrar como a batalha de MC funciona e para quebrar todos os estigmas que ela se encontra. As batalhas de MC são vistas de formas marginalizadas, onde é só preto, onde é só droga e não somos só isso, a batalha é uma cultura que faz parte do elemento da cultura hip hop, onde tem cor, tem raça e tem uma classe social imensa que vem da periferia e as pessoas precisam entender isso. E abrir o festival hoje é tão importante para mostrarmos nossos talentos, as nossas rimas e os artistas que temos no nosso estado e no Brasil, quando se fala de batalha de MCs”, conclui Psy.
A coletividade
A batalha é construída de forma coletiva, com pessoas que exercem funções diferentes dentro da organização e contribuem para o fortalecimento do movimento. Um dos fundadores da Batalha da Arte, Luidy Emici, destaca o trabalho desenvolvido pela equipe.
“Estamos aqui com a nossa equipe composta por jurados, juradas, DJs, Cameraman, pessoas que fazem parte do grupo e exercem funções específicas que a todo o momento servem para que o nosso coletivo cresça, com que ele se fortifique de uma maneira muito bonita.”
Para Luidy, a experiência também revela a dimensão política da cultura enquanto ferramenta de transformação social.
“A gente se prende muito a ideia e ao ideal de que o mundo tem que ser um lugar melhor e as pessoas precisam ser mais unidas, nada melhor que um festival como esse para provar que as pessoas são altruístas, são humildes, são unidas, são boas de coração para viver da arte e para ver a arte do outro, e para mostrar que a arte assim como outros meios sociais e culturais é a melhor forma que temos para mudar o mundo.”
Da batalha à seletiva estadual
Além de integrar a programação de abertura do Festival Quebramar, a Batalha da Arte também recebe uma etapa classificatória para a disputa estadual. A edição realizada neste sábado (26), na CUFA, corresponde à 13ª seletiva do Amapá e reúne MCs que disputam uma vaga para a próxima fase da competição.
Segundo a organização, os participantes da seletiva buscam avançar para o estadual, previsto para acontecer em novembro, ainda sem data definida. A etapa estadual será responsável por definir o representante do Amapá na disputa seguinte, podendo resultar na escolha de um novo nome ou na conquista de um bicampeonato por um competidor que já tenha representado o estado anteriormente.
Na seletiva deste sábado, o vencedor da noite foi Bruno Braga, conhecido como Smile MC. Para os artistas que participam da seletiva, a competição também representa uma oportunidade de crescimento e de projeção dentro da cena. Smile destacou a importância do hip hop como espaço de expressão e falou sobre a experiência de se apresentar no Festival Quebramar.
“O hip hop para mim é um movimento no qual a gente consegue, que eu consigo me expressar. Aquele movimento que faz com que eu consiga expor para fora tudo aquilo que eu tenho como verdade, tudo aquilo que eu acredito. E o hip hop ele é aquela ferramenta que me faz expor tudo aquilo que eu tenho como verdade, entendeu? É onde eu consigo me expressar”, relata.
Sobre a experiência de participar do festival, o MC afirmou: “É uma experiência ótima. Eu acredito que é fundamental para o meu crescimento artístico. Foi incrível.”
